Resenha: O Lado bom da vida por Matthew Quick

14 de março de 2015

    Quanto tempo eu não faço resenhar por aqui, né? Se eu não me engano a última foi bem no comecinho de Fevereiro, mas isso vai mudar. Sabe por quê? Com essa empolgação de estudar para o Enem e o Vestibular, me entreguei aos clássicos da literatura brasileira e em breve eles também serão retratados por aqui. E o Book Club também vai influenciar no aumento das resenhas, mas enquanto vocês aguardam tudo isso, curtam a resenha do romance de estréia do autor Matthew Quick.

Fonte

Título: O lado bom da vida | Autor: Matthew Quick | Editora: Intrínseca | ISBN: 9788580572773 | Páginas: 256

Sinopse: Pat Peoples é um ex-professor na casa dos 30, acaba de sair de uma instituição psiquiátrica. Convencido de que se passaram apenas alguns meses no que ele chama de "lugar ruim", ele não se lembra do motivo que o fez parar lá e está disposto a recuperar o amor de sua vida, Nikki. Ele luta para se tornar uma pessoa melhor tanto por dentro quanto por fora, enfrentando uma realidade que não parece muito promissora e lidando com alguns monstros em sua mente. Uma história comovente e encantadora, de um homem que não desiste da felicidade, do amor e de ter esperanças.

    Eu fui conquistada pelo livro no momento em que vi que ele é narrado em primeira pessoa, pelo próprio Pat, afinal, são poucos os livros que eu já li narrados por uma figura masculina. E é interessante, principalmente aqui no caso de Pat que, claramente, sofre de algumas questões Psicológicas. Problemas de comportamento, falta de memória e uma incapacidade de acreditar em que o casamento dele realmente acabou. Coisas interessantes de serem lidas de uma perspectiva que não a nossa, feminina. E como uma coisa puxa a outra, é maravilhoso ler algo sobre a saúde mental ou a falta dela e o quanto isso pode mudar nos cursos de uma vida.
    O personagem foi muito bem escrito de uma forma surpreendente. Um homem real, nada de príncipes ou namorados perfeitos como nos livros de fantasia. Mas um homem sensível, que tenta lidar com suas inseguranças, um homem que quer ser melhor e que se esforça para ser sempre positivo diante das dificuldades impostas a ele. Num nível dobrado, é claro. Pois se pra quem é saudável já é difícil imagine para alguém que precisa constantemente de terapias, remédios e afastamento da vida profissional. Ele implode e explode algumas vezes, porque é um personagem à margem da realidade: ele sofre e ele é fraco muitas vezes, ele não é, repito, um homem perfeito. Mas é um homem bom.
    Quanto aos outros personagens também fiquei muito feliz. A forma com que os deixou interessantes e reais, todos com seus problemas e virtudes é extraordinária. Deixa o livro mais humano o possível. Vemos uma família com dificuldades; um casal que vive de aparências; uma mulher também com problemas de equilíbrio mental e todos estão, ao mesmo tempo, tentando superar seus desafios. Não é só o Pat que se supera ao decorrer do livro, mas os outros personagens também aprendem coisas e evoluem a medida que se relacionam uns com os outros.
    O enredo do livro é muito criativo e original, diferente ao extremo dos outros romances por aí e estou muito ansiosa para ler mais livros de Matthew. Passei até mesmo a me interessar por futebol americano, que apesar de ser narrado com detalhes não chega em momento algum ser entediante ou chato. É, por sua vez, muito emocionante. A maneira como todos ficam felizes a cada jogo dos "Birds" e como todos esquecem de suas diferenças e passam a se dar bem torcendo por seus jogadores favoritos me lembrou muito o futebol brasileiro e o calor dos torcedores, porém o futebol americano ainda parece mais interessante pra mim. Porque é diferente. Como quando você está acostumada com o colorido e aprecia uma foto em preto e branco, é mais bonito porque é diferente e então se destaca mais. Mas não é o foco aqui.
    O relacionamento de Pat e Tiffany é de se admirar. Mesmo que não haja tantos diálogos eles sabem que podem contar um com o outro e sempre que precisam desabafar eles se procuram e ouvem um ao outro também. Se identificam por passar por problemas muitos parecidos, já que como Pat, Tiffany também perdeu o marido, toma remédios e faz terapias. Eles criam um elo, uma amizade muito bonita ao decorrer do livro e lutam juntos para manter aquele pézinho na realidade que só os dois entendem o quanto é difícil de fazer. Porque eles podem ter o apoio da família inteira, mas suas famílias não sabem como é ter toda a sua mente confusa a ponto de não saber o que é ou não real.
    Outro ponto positivo, ainda na relação dos dois é que não existe aqui aquela melosidade clichê dos comuns livros de romance e drama. É tudo muito humano e frágil, é mais amizade do que paixão. Mais admiração e respeito um pelo outro do que qualquer outra coisa. Embora eles errem e embora haja mentiras entre os dois (leia o livro, haha) eles acabam conhecendo juntos o poder do perdão e aprendem a pôr pontos finais em histórias que não vão mais se desenrolar, para criarem juntos uma nova história e um filme só deles.
    Não tenho sequer uma opinião negativa do livro, nem mesmo em relação ao final. Tudo aconteceu no momento exato, tudo se desenrolou perfeitamente e se encaixou com delicadeza. Não mudaria nada no livro, nadinha, porém eu mudaria todo o filme. Tenho de dizer, que se você não leu o livro, mas assistiu ao filme: saiu perdendo. Leia enquanto é tempo, pois tudo é absurdamente diferente. O que me parece é que eles só usaram os mesmos nomes, a mesma doença dos personagens e o time dos Eagles. Do resto TUDO muda, a ordem dos acontecimentos; coisas que não existem no livro eles inventaram para o filme e vice-versa.
    Concluo dizendo que o filme não é ruim, mas é absurdamente diferente e, portanto, o livro é de longe mil vezes melhor. É surpreendente, uma lição de vida para se guardar. Um dos melhores que eu já li.

8 comentários:

  1. Eu não li o livro, mas vi o filme e amei! As perspectivas são de que o livro será ainda melhor!

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    1. Joana, o livro é sim muito melhor. Te aconselho a ler, só vai sair ganhando!

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  2. Estou lendo esse livro nesse exato momento. Adorei sua resenha!
    Estou gostando muito do livro e agora fiquei mais curiosa ainda.
    Sobre a diferença entre livro e filme, eu concordo muito contigo.
    Sou daquelas que não assiste o filme antes de ler o livro, justamente por essa diferença toda.
    Beijos!

    Blog Flores na Cabeça
    Paixão por Sorteios

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    1. Duda, eu também odeio ver o filme antes de ler, mas de vez em quando cometo esse erro. Leia até o final, é lindo demais. Um dos melhores!

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  3. Oi Thaisa,
    Adorei a resenha ficou completa :)
    Quero muito ler esse livro, está até na minha lista de desejo (tá enorme), parece ser muito bom mesmo!!
    Beijos,
    Kworldofbooks.blogspot.com

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    1. Ketelyn, vale muito a pena. Eu nem sei como dizer em palavras o quão bom este livro é!

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  4. Por isso que eu quis dar uma chance pra leitura primeiro, pois a adaptação quase sempre foge da história um pouquinho.. Eu gostei do fato do livro ter sido narrado em primeira pessoa, assim como vc, fico feliz em ler uma narrativa masculina ^^
    Sua resenha me deixou com vontade de terminar a leitura, pode ser que eu tenha lido em um momento errado e não dei a devia atenção aos detalhes que vc citou na resenha

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  5. O livro é ótimo, mas eu acho que o filme não é ruim. A história eu achei muito bom, bem executar um script, engraçado e inteligente. Abotoaduras entre Jennifer Lawrence e Bradley Cooper me espanta, posso dizer que é um dos melhores filmes dramáticos Cooper. Atuações ótimas até mesmo dos coadjuvantes Robert De Niro e Jacki Weaver estão ótimos. Uma ótima historia, madura, diferente de todas essas comedias dramáticas/românticas. Vale muito apena acompanhar.

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