Resenha: O papel de parede amarelo de Charlotte Gilman

22 de março de 2016
Título: O papel de parede amarelo | Autora: Charlotte Perkins Gilman | Editora: José Olympio | ISBN: 9788503012720 | Páginas: 112 
Sinopse: "Este clássico da literatura feminista foi publicado originalmente em 1892, mas continua atual em suas questões. Escrito pela norte-americana Charlotte Perkins Gilman, ele narra, em primeira pessoa, a história de uma mulher forçada ao confinamento por seu marido e médico, que pretende curá-la de uma depressão nervosa passageira. Proibida de fazer qualquer esforço físico e mental, a protagonista fica obcecada pela estampa do papel de parede do seu quarto e acaba enlouquecendo de vez. Charlotte Perkins Gilman participou ativamente da luta pelos direitos das mulheres em sua época e é a autora do clássico tratado ”Women and Economics”, uma das bíblias no movimento feminista. Esta edição de O papel de parede amarelo, que chega às livrarias pela José Olympio, traz prefácio da filósofa Marcia Tiburi." 
Livro cedido em parceria com a editora Galera Record para resenha

    Jhon, médico e marido, leva sua mulher para repousar em uma mansão no campo e rejeita a escolha da mesma de ficar em um dos quartos no térreo, mas a leva para um quarto maior e que outrora fora um quarto de criança com a desculpa de ser mais arejado, mais claro e ter uma vista mais calma para que ela descanse. Tem um papel de parede no quarto, com um padrão que ela não entende e com uma cor desbotada em vários pontos. Quem antes morou ali tentou arrancá-lo e não conseguiu. O papel de parede a deixa irritada e é a partir daí que o conto se desenrola. 
    A mulher está doente, ela se esforça o tempo todo para se manter sã e longe da loucura e escreve   em uma espécie de diário exatamente com o uma forma de lidar com os acontecimentos e ter algum tipo de controle. Mas além dos conflitos que se passam na cabeça dela, o conto chama a atenção para diversos outros problemas que envolviam um casamento na época.
    Jhon mantém sua mulher (cujo nome não é citado) em um relacionamento o qual eu poderia chamar de abusivo. Trata dela várias vezes como "Tolinha"; "Querida" e "Minha menina", passa-se por carinhoso e atencioso apenas para mantê-la sob seus cuidados, ou na verdade, para mantê-la vivendo do jeito que ele acha melhor. A mantém afastada de tudo e todos, deixando claro que ela é incapaz de fazer as atividades normais que as outras mulheres fazem, o que seria uma crítica a postura dos médicos do sexo masculino que aprisionavam as mulheres em ambiente doméstico, como incapazes e frágeis psicologicamente.
    O livro também pode ser considerado como uma autobiografia, pela semelhança incrível com a  vida da própria autora. A mesma também sofria de depressão e foi recomendada por um especialista a permanecer em casa e escrever apenas 2 horas por dia (enquanto sua personagem era proibida de escrever e o fazia em segredo) para não se esgotar. 
    No final do conto, a personagem parece descobrir o padrão por trás do papel de parede, ou entender a situação das mulheres em sua atualidade. Existe uma mulher por trás do papel que parece estar aprisionada e a personagem se solidariza com ela, tenta  libertá-la de lá, mas também não pretende deixar a mesma fugir. Ela entra em colapso, está por um triz da loucura e descobre nessa a sua liberdade. 
    Eu gostei bastante do conto, do começo ao fim e o li rapidamente. Talvez o tempo que eu levei para compreender o mesmo tenha sido bem maior, porque se trata de uma escrita bem subjetiva e complexa sobre a qual você precisa refletir para entender. Os significados por trás das coisas não são entregues de mão beijada ao leitor. Mesmo assim achei genial a  ideia de Charlotte, sua crítica impecável.

13 comentários:

  1. Eu não sabia sobre o que era esse conto, mas quando fiquei sabendo de toda a história do conto e tudo o que ele simboliza, fiquei muito curiosa para ler, deve ser uma leitura cheia de significados profundos.
    Beijos
    Mari
    www.pequenosretalhos.com

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  2. Olá Thaísa, o enredo do livro parece ser fantástico, mostrando um pouco desse tratamento abusivo e como a personagem se vê encurralada *-* Dica anotada e espero poder em breve lê-lo *-*

    Visite "Meu Mundo, Meu Estilo"

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    1. Jéssica, quando conseguir ler me conta o que achou ok?

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  3. Olá!!

    Nunca tinha visto o livro, achei muito interessante a proposta dele. Me pareceu um livro para ler lido devagar, quem esconde muitas criticas sociais, vou procurar mais sobre ele, sua resenha me instigou!

    Bjus
    Blog Fundo Falso

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    1. Andréa que bom, é um livro bem curioso mesmo e instigante.

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  4. Thaísa, tudo bem?
    Eu também recebi esse livro da Galera Record, mas não curto o tema, então não me interessei em ler.
    Pela sua resenha, apesar de o livro ter uma temática interessante, me parece depressivo, e eu não gosto de livros assim.

    Vou deixar passar mesmo.


    Beijos!

    www.oblogdasan.com

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    1. Poxa, San, isso é uma pena. Mas passa ele pra frente, faz um sorteio, algo do tipo.

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  5. Olá Thaísa ler esse conto foi uma surpresa, uma leitura tão rápida mas que ao mesmo tempo profunda e reveladora! Adorei a resenha!. Bjs

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  6. Oii
    Achei muito interessante a ideia do livro. Não o conhecia, mas infelizmente essa hhistória não faz muito o meu estilo, por isso não o leria.

    beijos
    Livros & Tal

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    1. Oie, tudo bem? Eu também achava isso, até ler ele!

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  7. Oi Thaísa,

    Cheguei aqui no seu blog através do Sentimentaligrafia.
    Eu estou já faz um tempo com este livro na minha listinha de to-read, pois a sinopse dele me atraiu muito. Até então, não tinha encontrado nenhuma resenha sobre ele e não sabia muito bem o que esperar. Agora que li sua opinião, fiquei com mais vontade ainda de lê-lo, pois a estória, apesar de curta, parece ter sido bem estruturada. Também fiquei curiosa para saber como acontece a reflexão feminista que a sinopse promete.

    Um beijo,
    Ruh Dias
    perplexidadesilencio.blogspot.com

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