Em poucos minutos, toda a sua vida muda

14 de março de 2017
   Quem me acompanha já deve ter me visto falar por aqui que recentemente tive alguns problemas de saúde e fui afastada do trabalho por algum tempo, o que me rendeu dois meses (de início) pra ler mais livros, ver mais séries e filmes e até mesmo fazer crochê, mas principalmente repousar. Eu não devo alguma explicação e poderia muito bem não falar desse assunto tão abertamente por aqui, mas algumas coisas precisam ser ditas. Tem certas situações da vida, a maioria delas, que você só supera quando coloca pra fora de alguma forma. A minha forma de por pra fora é escrevendo. 
    No dia 14 de Fevereiro eu estava extremamente cansada, o dia no trabalho tinha sido puxado e eu queria muito faltar na faculdade, me lembro como se fosse há 5 minutos atrás: eu montei na moto pra ir embora pra casa e pensei "acho que vou faltar na aula hoje", mas durante o caminho eu mudei de ideia. Afinal, a vida de quem trabalha e estuda é essa, não é? Todos os dias eu vou ficar cansada, todos os dias eu vou querer ficar em casa e dormir, mas eu preciso ir pra aula. Chegando em casa tomei um banho, troquei de mochila porque eu tinha que levar bastante coisa naquela terça feira e fui pra aula. Ou tentei ir. 

    Acontece que cinco ou seis ruas pra baixo da minha casa, eu sofri um acidente. Não vou entrar em detalhes sobre a batida, mas era a minha moto contra um carro, eu não tinha muita chance de sair ilesa. E não saí, quebrei a perna na mesma hora e já não consegui mais me mexer ou sair do lugar. A primeira coisa que eu disse foi "Liguem pra minha mãe" e à partir daí foi só dor e mais dor. Só o que eu via a minha volta eram pessoas curiosas formando um círculo, rostos que eu nunca tinha visto e a ajuda veio de quem eu menos esperava também: um casal de uma igreja próxima do local do acidente, me socorreu e ligou pra minha mãe. O rapaz com quem eu bati também prestou socorros e naquele momento tudo o que eu queria era ter faltado na aula
    Minha mãe chegou, mas ela não conseguia falar ou fazer nada. Ela só chorava, afinal, pelo que me disseram depois, minha perna esquerda (a qual eu quebrei) estava muito feia e completamente torta. Foi meu namorado quem conseguiu falar com a polícia, resolver o que era preciso e me acompanhar na ambulância. Eu gritei naquele dia gritos dignos de um Oscar, mas não era atuação, eu senti uma dor que eu não desejo pra ninguém literalmente. 
    Depois de chorar e gritar muito também nas salas de raio-x de dois hospitais, porque fui levada direto para o público e só depois encaminhada para o hospital do meu convênio, é que descobrimos qual era o problema. Eu fraturei a Tíbia e a Fíbula, mais ou menos um palmo pra baixo do joelho e foi uma fratura grave, por pouco não exposta. A dor era tanta que eu não conseguia pensar em outra coisa, mas todos os médicos me diziam que eu era sortuda, vejam só, "foi só a perna" eles diziam. Realmente, tive sorte de não ter morrido ou sofrido danos mais graves, mas ainda sim fiquei decepcionada comigo mesma quando soube que a única saída era a cirurgia. 
    Em poucos minutos, toda a sua vida muda. Logo eu que nunca tinha quebrado um osso na vida, quebrei dois. Logo eu que nunca tinha feito cirurgia, tive complicações na primeira. Logo eu que nunca tinha levado ponto na vida, levei 21 no total. E a pior parte não é a dor física em si, a pior parte é ter que depender de outra pessoa pra tudo, até nas tarefas básicas como fazer xixi; tomar banho; vestir uma roupa. Não poder dobrar o joelho, ter que usar fraldas, não poder sair da cama a não ser pra tomar banho. Saber que quando eu voltar a andar, ainda bem que pelo menos isso é uma certeza, eu posso ficar manca pro resto da vida, saber que toda vez que eu for ao banco a porta giratória vai apitar porque eu precisei de uma placa ponte de platina como prótese e vou usá-la pro resto da vida. É muito dolorido. 
    Hoje, um mês exato depois do acidente, eu já consigo dobrar o joelho em 45 graus, não mais que isso. Estou feliz e confiante, sei que vou conquistar uma vitória de cada vez, no meu tempo. Sei que vou aprender a andar como uma criança novamente e que vou sofrer muito quando começar a fazer fisioterapia. Sei que vai demorar muito mais do que um mês pra eu estar de pé de novo, mas eu sai viva e sai mais forte de tudo isso. Eu sou uma guerreira e não tenho vergonha em dizer isso sobre mim mesma. 

7 comentários:

  1. AI MEU DEUS DO CÉU! SOKORRO!
    THAI MULHER COMO VOCÊ FOI FORTE! Minha nossa, vc aguentou firme ser transferida de hospital duas vezes, ficou firme até ir pro hospital com ESSA DOR DO CARALHO que deve ter sido.
    Ai. Sério. Só de tentar imaginar, me deu vontade de chorar.
    FORÇA MULHER! O PIOR JÁ PASSOU E VOCÊ VAI CONSEGUIR!

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    1. Muito obrigada Yara, pela mensagem e pela força. Eu vou conseguir sim, devagar, mas eu vou. Como você disse, o pior já passou, né?

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  2. Caramba, Thai :~~ Não tinha a menor ideia de que o acidente tinha sido dessa proporção (lembro do seu check-in no hospital no facebook e até comentei naquela foto da Callie). Nesse instante só consigo sentir alívio por você estar viva e se recuperando. Você é maravilhosa e vai superar todos os obstáculos. Mesmo longe, saiba que estou contigo, gosto muito de você!

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    1. Poxa, Nick, fico muito feliz de ler isso. Que bom saber que posso contar contigo <3 Vou me recuperar sim e logo!

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  3. Lendo seu texto senti um pouco sua aflição. Sou daquelas que quando tenho um pressentimento eu não vou contra ele, pq toda vez que foi eu quebro a cara. Lembro várias vezes que deixei de ir para a faculdade por não sentir que era o certo naquele dia. Tive um lesão série no joelho ano passado e ainda estou me recuperando dela e entendo tudo o que você disse sobre não conseguir andar, depender dos outros, mas uma coisa é certa a fisioterapia ajuda muito, e essas experiencias traumáticas nos muda a visão de ver o mundo e a nós mesmo, cada dia é uma vitória e um motivo para agradecer. Que bom que você está se recuperando e não foi nada mais grave. Aos poucos a vida vai voltando ao normal.

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    1. Essas coisas acontecem, né? Infelizmente estamos sujeitos à isso todos os dias: motoristas ou pedestres. O jeito é me cuidar bastante agora, obrigada pelo apoio!

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  4. É impressionante como nossas vidas podem mudar tão rápido né? Eu nunca passei por algo do tipo, mas admiro muito sua coragem e determinação para passar por tudo isso. Porque, por mais que a situação tenha se complicado e depois melhorado e que de alguma forma isso interfira na sua vida por anos, você está aqui, pronta para lutar cada batalha e vencer cada etapa. Um beijo <3

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